Na trilha das Escritoras Negras - Por Ana Oliveira
"Encontrei ela, elas, eu
Rondando as escritas como eu
Na tela, na sala, no escuro
Sei lá eu
Montando as histórias indignas do cabelo seu
Alvoroçado como o meu
Falam da cor, da dor, do seu eu
Carmem orienta e esclarece que elas sou eu
Na trilha da escrita escuto história, poemas, contos
Mas no final ganho um manto digno do reino que é o meu
Ser um zero
Não um zero qualquer
Zero a esquerda, dos matemáticos
Invisível, inexistente
Jamais!
Esmeralda fala, escreve e aponta
Que nas histórias das vidas negras
A soma do zero é sempre mais
Somos carolinas
Lina, a intimidade é grande, pelo amor a escrita.
Não toco nos pontos fortes da pobreza
Consigo enxergar a riqueza na sua representação
Deixou um legado
Amiga pouca coisa mudou
As Carolinas se multiplicaram: na escrita, na miséria e na labuta
Entrou na minha vida com toda sua potencialidade
E, na Academia, nos lares simples e nos pomposos.
O tempo é amigo do vento, espalharam suas sementes
Enriquecem o solo germinando as Carolinas"
Ana Oliveira
Nota: Carmen Faustino, orientadora do curso “Escrituras Negras”. Poeta, escritora, educadora e produtora cultural em São Paulo. Escritora Esmeralda Ribeiro no seu poema "zero à esquerda". Escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1997). Em 1970, a população brasileira era de 93 milhões, meio século depois com mais de 200 milhões. A escrita da miséria e da pobreza brasileira faz parte da realidade com sucesso.
Quem sou eu: Nasci em 1968 no RJ, carioca paulistana, vivi a minha carreira profissional em São Paulo, por 25 anos, mas o meu coração é do Rio de Janeiro e agora de Porto. Moro com meu filho adolescente em Portugal, a procura da tal qualidade de vida, e encontrei. Sou formada em arquivologia pela Uni-Rio, Aprendiz de História, licenciatura incompleta, faço cursos livres de História “do Porto” e “de Portugal & Geopolítica”. Realizo TODOS os seus sonhos, mas também sou simples, o pouco me basta. Construo rede de amigos, às vezes, finjo que não vejo os preconceitos: gênero, racial, religioso e xenofóbico. O cargo melhor, um carro melhor (quem é o meu marido?) e sem maiores detalhes, só informo, não sou casada. Ah! Tenho tanto para contar. E contei, nos meus livros. Caminhei escalando barreiras, com uma política de ficar bem com todo mundo, mas quando o preconceito chegou no meu filho, tudo mudou, não sabia o que fazer. Agora sei, pesquiso, escrevo e divulgo.
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