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Mostrando postagens de novembro, 2021

Eu e os livros - Por Terezinha Morais

          Minha relação com os livros começou cedo, precoce, minha mãe dizia que eu aprendi a ler e escrever antes dos três anos, acho exagero, nessa época, eu ainda mamava no peito e me alimentava de leite materno e não de palavras.           Acredito mesmo, que descobri as palavras com sentido por volta dos quatro anos, uma boa idade para entender o significado daquelas letrinhas preciosas formando frases. Minha mãe adorava nos dar gibis e enquanto meu irmão clonava os desenhos, eu clonava significados das frases em minha cabeça. Por estudar em uma escola filantrópica renomada, fui apresentada cedo a livros doados interessantes. Candido de Voltaire, O pequeno príncipe de Exupery, o tão falado racista Monteiro Lobato, Clarice Lispector, alguns alemães e tantos outros soltos na pequena biblioteca. Conheci cedo os amigos, responsáveis por deixar menos vazia minha vida ao mudar de escola. Narizinho, Pedrinho, tia Anastácia, o sac...

Poema de Eveline Sousa

No mergulho em águas profundas  Perdemos a noção do tempo... No oceano de águas tranquilas  Plugamos a mente relaxa  Rapidamente me entrego Aos sons e movimentos sensatos  Sincronizados com ampla magia Desafiamos em doces marés Momentos de glória e magias Entrelaçados na busca da paz Sentimos a brisa macia... Doces experimentos concluímos  Encantos que fazem parar Descobrimos a magia sublime Que no horizonte faz descansar Cansados de tantos desejos Buscamos ao mar retornar. Eveline Sousa  Quem sou:  Mulher preta, nascida na cidade do Rio de Janeiro e hoje residente da cidade de Franca - SP. 59 anos, advogada, professora antirracista, aposentada da rede pública municipal do Rio de Janeiro, palestrante, Coach, membro integrante do grupo de mulheres (Coletivo das Pretas) e (Kilombo das quitandeiras) COMDECOM/Franca.

Uma Carta para Carolina - De Mileide Francisco

 "Quando fico nervosa,  não gosto de discutir, prefiro escrever, todos os dias eu escrevo". Carolina Maria de Jesus Olá Carol, tudo bem? Alguém me disse noutro dia, que tudo é muita coisa  rs eu digo que depende muito do que esse "tudo" é para você. Antes de continuarmos, deixe eu me apresentar: Me chamo Mileide e também gosto de escrever. Gostaria de ser como você  e escrever sempre que fico nervosa, mas a verdade é que às vezes eu gosto de discutir rs Carol, me desculpe o avanço e o possível excesso de intimidade, ocorre que últimamemte tenho ouvido falar tanto sobre você,  sobre seus feitos, que já me sinto parte da família, hahaha.  Não estranhe esse "hahaha", a gente fala assim hoje em dia, é o hábito das mídias sociais, existe outras formas agora de demonstrarmos o riso e o choro, uma hora desses te explico.  Hoje temos até aplicativos de namoro, é uma loucura rs. Carolina, preciso dizer que o seu nome me remete a um doce que amo muito, ele é fei...

Espelhos de força - Por Terezinha Morais

Ah! As mulheres negras de minha família.  Mãe, tias, avós Cada qual com seu tantinho Foram fazendo de mim brava mulher Espelhos de força Resistência Tentativa Crença Fé Um pouco do que sou Ah! As mulheres negras que conheci Tantas pelo meu caminho Sempre empurrando Palavras de afeto Espelhos de força Dengo Afeto Puxão de orelha Moldura Ah! As mulheres negras que não conheci Deixaram e deixam tanto de seus ensinamentos Fizeram de mim escrevivente Espelhos de força Deixaram teorias Legitimaram minha fala Legitimaram minha escrita Ah! Todas as mulheres pretas  Espelhos de força Entrega Sentimento  Dengo  Cuidado Empoderamento Todas essas ancestrais Fizeram de mim SER Espelhos de mim Espelhos de nós À todas vocês Meu muito obrigada    Terezinha Morais Quem sou eu:  Terezinha das Graças Morais Sousa, mulher preta, nascida e moradora da cidade de Franca, interior de São Paulo, mãe da Taiane, escritora, bailarina de dança do ventre em construção, vendedora au...

Nas trincheiras: Elas (Nós)! - Por Bebeth Nascimento

 Já bem dizia o samba enredo da mangueira: "Na luta que a gente se encontra" Ombro a ombro nas trincheiras Estão elas: as mulheres, as companheiras Elas que são Referências de luta, cuidado, solidariedade Elas que são da Leste, da Norte, da Sul, da Oeste e do centro da cidade Elas que são Camilas, Patrícias, Anas, Micheles, Luanas, Thaises, Vanessas, Najilas, Jéssicas, Marias... Elas (nós) que atravessadas pelo machismo e (ou) racismo estrutural, pela lgbtqifobia e pela barbárie do Capital Ainda assim seguem (seguimos) firmes na luta por uma outra ordem social  Elas (nós) insubmissas mulheres que não andam só (Não mexe comigo) Elas que sou eu e que somos nós, por nós. Bebeth Nascimento 19/08/2021

Na trilha das Escritoras Negras - Por Ana Oliveira

"Encontrei ela, elas, eu Rondando as escritas como eu Na tela, na sala, no escuro Sei lá eu Montando as histórias indignas do cabelo seu Alvoroçado como o meu Falam da cor, da dor, do seu eu Carmem  orienta e esclarece que elas sou eu Na trilha da escrita escuto história, poemas, contos Mas no final ganho um manto digno do reino que é o meu Ser um zero Não um zero qualquer  Zero a esquerda, dos matemáticos Invisível, inexistente Jamais! Esmeralda  fala, escreve e aponta Que nas histórias das vidas negras A soma do zero é sempre mais Somos carolinas  Lina, a intimidade é grande, pelo amor a escrita. Não toco nos pontos fortes da pobreza Consigo enxergar a riqueza na sua representação Deixou um legado Amiga pouca coisa mudou As Carolinas se multiplicaram: na escrita, na miséria e na labuta Entrou na minha vida com toda sua potencialidade E, na Academia, nos lares simples e nos pomposos. O tempo é amigo do vento, espalharam suas sementes Enriquecem o solo germinando as ...

A noite de magia preta - Por Fabiana Marques

Acordo pela manhã é saúdo meu orí, Fecho os olhos e reverencio o orí de cada feiticeira que vou encontrar essa noite.    “Que meu orí, reverencie o seu orí! orí ooo”  A magia preta vai começar, Não tenham medo! Quem mandou serem feiticeiras? O caldeirão vai ferver, O pássaro preto trouxe a mensagem o link está disponível, podem entrar. As feiticeiras estão prontas a começar mexer o caldeirão, É permitido colocar palavras e quebrar o silêncio através da escrita,   A feiticeira de outro país, está mexendo em sua estante e trouxe livros de diversas magias de afetos, das memorias familiares e viagem pelo mundo,     A feiticeira do Sul, colocou no caldeirão folhas escritas e desenhadas com seus poemas e pensamentos de Cristiane Sobral, A feiticeira mais jovem, está mexendo o caldeirão colocando pós e a magia da juventude e afrontamento, com os seus poemas e crônicas,  A feiticeira de sorriso largo, colocou a magia da mudança, resistência e coragem...

Trilha Escrituras Negras I e II - Fabricas de Cultura Capão Redondo - 2021

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TURMA - ESCRITURAS NEGRAS  Escrituras negras  é uma trilha elaborada a partir das vivências e produções literárias da escritora Carmen Faustino, educadora e gestora sociocultural do Campo Limpo, bairro de São Paulo. As aulas também serão somadas aos estudos e trajetórias de outras escritoras negras. Os participantes poderão conhecer a literatura negra e vivenciar momentos de reflexão, sobre as narrativas e o universo imagético da literatura negra feminina, por meio do recurso da oralidade. A proposta é que a leitura e a escrita aconteçam de maneira livre para desmistificar o senso comum sobre a dificuldade em ler e escrever e, assim, fortalecer o pertencimento territorial e a identidade negra. Quarta-feira, 18h às 21h On-line Ciclo I de 8 de fevereiro a 30 de junho Ciclo II de 11 de agosto a 17 de novembro Participantes: Fabiana Marques,  Eveline Souza.  Ana Lucia Oliveira,  Rosa de Fátima Pereira,  Natalia Gomes,  Evaldete Maria Martins,...